terça-feira, 28 de março de 2023
quinta-feira, 23 de março de 2023
Em dia de missa dominical as pessoas a chegarem de todos os lados, pelos atalhos por meio de pinhais que encurtavam o caminho. E mulheres descalças a passarem os pés pela bica da fonte das moscas antes de calçarem as meias de vidro e os sapatos que levavam num saco de plástico...
Terminada a missa e ouvidos os últimos recados do prior, uma última benzedura e todos a sairem ordeiramente da igreja para dar início às saudações de apertos de mão, abraços ou beijinhos conforme as pessoas e o grau de intimidade entre cada qual. As conversas e as gargalhadas a ecoarem ao longe visto que o adro cheio como um ovo e todos a conviverem pom para as mercearias tendo em vista o desejor breves momentos antes de se esgueirare de se aviarem depressa do que lhes era preciso para toda a semana. E aí a saberem das novidades mais ou menos importantes. Era conforme. De modo que, de vez em quando alguém organizava uma excursão a este ao àquele lugar e assim a notícia a espalhar-se depressa por todas as terras da freguesia.
Certa ocasião, os meus pais decidiram ir também num desses passeios de três dias, organizado de modo a visitar alguns dos mais belos lugares do norte do país. De maneira que, a minha mãe a ter de deixar mato e erva com fartura para os animais e uma vizinha das que não íam na excursão, a fazer o favor de lá ir tratar dos animais de manhã e à noite.
Fez também uma carne assada que cortou em fatias, pasteis de bacalhau e cozeu uma fornada de broa. No resto, para aproveitar o calor das brasas, preparou uma caçoila com um coelho e batatas e deitou-a ao forno a assar bem como um frango que teria de sair corado e ainda um tachito de tigelada para ajudar a compôr o farnel que haveria de dar para os tês dias. Umas azeitonas e um queijo de ovelha curado, rematavam o que faltava. E lá fomos nós, no dia da excursão, todos contentes de madrugada, numa boleia na carrinha do Ti Américo, que nos fez o favor de ir levar à Benfeita, onde já estavam outros felizardos, excitados pela aventura prestes a acontecer, também com as suas cestas do farnel ao lado, prontos para entrarem na camioneta que os levaria a conhecer outras terras e lugares diferentes.
A primeira dessas refeições em modo de piquenique foi num pinhal, em virtude de se aproveitar a sombra dos pinheiros. Estenderam-se mantas de trapos e por cima delas toalhas de mesa, que se foi enchendo de coisas daquelas que já vos tinha dito... Adultos e crianças todos sentados em volta da mesa improvisada e toca a comer que o estômago não se compadece com passeios de fazerem bem à alma!!!...
quarta-feira, 22 de março de 2023
segunda-feira, 20 de março de 2023

No tempo em que me criei, havia sempre uma velhinha sentada num banco a um canto da cozinha de qualquer casa onde entrasse. Geralmente com a minha mãe quando íamos a passar na rua e alguém nos chamava por um motivo qualquer, para dar algum recado, para ler uma carta, para levar alguma coisa ou simplesmente para fazer uma visita num domingo à tarde que era quando havia mais vagar...Vestidas de preto porque ou eram viúvas ou estariam de luto por alguém chegado e da família. Um lenço na cabeça a tapar o carrapito preso com ganchos de arame. De avental à frente da saia por causa de a poupar à sujidade, mas também porque a aba do avental a servir para as cascas das ervilhas ou das favas quando era tempo delas, dos feijões louros para a sopa ou dos secos para arrumar na arca. Elas estavam ali sentadas por já não poderem andar, mas ajudavam naquilo que podiam visto que o trabalho chegava para todos e até ainda sobrava em certas alturas do ano. De maneira que as conheci a bem dizer a todas, sentadas num banco mocho, a um canto das cozinhas, se de inverno junto à lareira ou ao fogão de ferro, conforme os casos. A minha avó era uma dessas velhinhas que me lembro de ter conhecido e partilhado consigo belos e inesquecíveis pedaços de tempo, entre gargalhadas e histórias que me contava, no bordo da sua fogueira, junto ao lume que ela tanto gostava de fazer e ver a crepitar - Ah, que boa fogueirola esta que aqui temos! - E nisto dava uma sonora gargalhada a denunciar a sua alegria contagiante que me levava a sentir o mesmo.A Ti Hermínia igualmente sentada na cozinhazita da sua casa, talvez entretido a descascar alguma coisa, enquanto a nora Esmeralda a tratar do amanho do milho no chão grande da Ribeira e o filho Tonecas, na sua faina de fazer colheres de pau, ali mesmo, por detrás do portão do pátio mesmo em frente da porta de casa.Também me lembro da sua irmã (da qual me não recorda o nome), também ela sentada num banco em frente do fogão a lenha por causa do estupor do frio... enquanto a prima Lucinda, sua filha, a fazer a sopa. E o genro António(o alfaiate como era conhecido) na sua oficina de alfaiate mais o neto Brasílio, numa faina imparável de tesouras, linhas e agulhas. Sempre que ali passava na rua, mesmo por baixo do varandim, lá estava a máquina a trabalhar e a cortar o silêncio da mudez das agulhas e linhas quando cosiam à mão. Aos domingos, ainda o sol tão longe de nascer e eles já a abalarem com a carrinha atacada de coisas que vendiam a quem delas precisava - colchas, cobertores, lençois, toalhas, etc, etc... - mais os fatos que lhes haviam encomendado, alguns já prontos e outros alinhavados para fazerem as provas, a caminho das aldeias perdidas nos montes e vales da serra. Hoje, a tão badalada Serra do Açôr.Nas Luadas era a mesma coisa. Uma vez a tia Albertina levou-me a conhecer as suas amigas. De modo que, cortámos ali para um becozito por cima da rua onde ela morava e fomos dar com uma mão cheia delas sentadas nas soleiras das suas portas, de pernas estendidas ao sol com os pés descalços... Fizeram-nos uma festa!
Cleo
quinta-feira, 16 de março de 2023
Os mesmos que se haveriam de perder e encontrar, de se cruzar e até acompanhar em vários outros capítulos ao longo das suas vidas. Tendo, contudo, histórias tão diferentes mas as mesmas raízes na terra onde nasceram os seus e para onde se encaminham sempre, em alguma altura. Mais cedo ou mais tarde!
Cleo Dias

sexta-feira, 3 de março de 2023
Importante
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Das Luadas, lembro-me das duas tabernas de um tempo remoto. A da "Poça", do Sr. Adelino e a do Sr. Cruz ao fundo do povo onde...
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Das tantas histórias que me contava nas longas tardes que passavamos as duas, enquanto me penteava e fazia tranças, lembro-me particularm...